É engraçado, mas a primeira vez que eu fui num festival foi quando eu toquei com os Strokes. Quando era jovem, eu ia a muitos shows, mas eu nunca fui a nenhum festival de 3 dias a céu aberto. E é por isso que eu não consigo entender muito bem como é. Eu acho que deve ser um lugar legal pra conhecer garotas: “Bom, vamos casualmente dormir nessa tenda juntos... a gente pode ser amigos, isso é legal... nós podemos ficar bêbados e ver o que acontece.”
Na verdade, eu acho que ir pra uma fazenda e ver 10 bandas que você quer ver é um conceito muito legal. Em geral, tem muito mais bebida em festivais britânicos, e as pessoas relaxam mais. Se você pular na multidão as pessoas vão te rasgar, mas eu não ligo. Você meio que sabe que você vai sair da multidão que nem o Hulk, com suas roupas rasgadas. Mas uma ou duas vezes eu tinha algo valioso comigo e eu perdi, então eu provavelmente deveria aprender a tirar amuletos valiosos... não que eu use eles.
Tem uns pequenos inconvenientes em grandes festivas. Se a multidão for muito grande, você pode ficar meio desconectado – basicamente, se você precisar de uma tela gigante pra ver a banda então não é a mesma coisa do que ver a banda de perto.
A outra coisa que me incomoda, é que sempre chega a hora que você tem que fazer uma escolha de Sofia sobre que banda você tem que ver, por que as vezes tem dois atos ao mesmo tempo. Quando eu fazia shows solo, em todos os festivais que eu tocava, a banda que eu queria ver era Dirty Projectors, e a gente tava sempre tocando ao mesmo tempo. Por que? Por que eles fazem isso? Mas eu amo a vibe de festivais como o Glastonbury.
Os primeiro festival que Strokes tocou foi Reading and Leeds em 2001. A gente ia tocar na tenda menor, mas então eles mudaram a gente de lugar, o que foi bem legal. Quando você é um entre tantas outras bandas, a pressão é menor se comparada com quando você está fazendo seu show. Ninguém vai ficar tipo “Você arruinou meu dia por que você não tocou o melhor show!” E eu sempre gostei do desafio de ganhar pessoas na plateia. Então as vezes, eu prefiro tocar pra pessoas que não são já grandes fãs.
A coisa mais emocionante é quando você começa a tocar um show, e você percebe que todos estão desinteressados, e eles começam a gostar mais pro final. É provavelmente a melhor coisa que tem. Não é muito assim com os Strokes agora, por que as pessoas sempre sabem o que elas vão ganhar com a gente. Mas eu senti isso muito quando eu fazia meus shows solo. Ser o headline é diferente. Eu lembro que quando a gente foi do Reading eu estava muito nervoso. Eu vomitei antes de entrar, por que nós estávamos no backstage e eu ouvi esse rugido, como se fosse um exército, ou algo assim. Se você é parte da multidão é emocionante, mas se você está comendo um sanduíche e esperando pra tocar é bem aterrorizante. Eu bebia nesses dias, então provavelmente eu até estava meio anestesiado.
Eu não posso agir como “o frontman” de uma forma rotineira, mas as vezes, com uma grande plateia, é divertido fazer como se fosse uma piada – “Vocês estão prontos pra festeja hoje a noite?!!” Esse tipo de coisa. Na verdade, funciona assustadoramente bem. Você pode dizer qualquer coisa que as pessoas ficam malucas. Faça “Vocês acreditam em mágica?!!” E as pessoas vão gritar “Sim!!”
A outra coisa que você garantir é que tem sempre uma pessoa na plateia com um laser, eu vejo ele e eu penso “Cara, é aquele ali!” Um dia eu vou ser aquele cara. Pelo menos é melhor que garrafas de xixi sendo jogadas em você. Eu vejo elas voarem, mas ainda não fui atingido, graças a Deus.
Os Strokes vão ser headliners do T in the Park e do Glasgow em 8 e 10 de Julho. Do Reading em 27 de Agosto e do Leeds em 28 de Agosto.